terceira ponte

VITÓRIA – PONTE INTERDITADA POR MANIFESTANTES

Retorno ao jazigo de dispersos, vulgo Minhas Antologias, com novidade que talvez precise de uma ou outra palavra – ainda que o texto fale por conta própria e não peça explicações. Introduzo e deixo o texto por conta de vocês.

“VITÓRIA – ponte interditada por manifestantes” é um texto de encomenda publicado no livro “JUNHO – potência das ruas e das redes” pela fundação alemã Friedrich Ebert Stiftung (FES). Baixe o pdf do livro clicando na imagem abaixo:

junho

O texto sobre Vitória, que assino, foi desdobrado do artigo “O delírio da vista“, publicado na Rede Universidade Nômade na primeira semana de julho de 2013. “O delírio…” foi produzido como relato das mobilizações de junho no Espírito Santo sob encomenda professor Giusepe Cocco durante o curso do primeiro semestre de 2013 no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, em conjunto com o professor Henrique Antoun, que assisti que como ouvinte naquele período.

Tal texto desdobrou-se no meu projeto de mestrado na Psicologia Institucional UFES e, posteriormente, em “VITÓRIA – Ponte Interditada por manifestantes”, texto publicado no livro “JUNHO – Potências da rua e das redes.” Objetos de pesquisa mudam, as experiências, por outro lado, são pura travessia, são inscrições na pele, e foi dessa sensação que tentei impregnar o relato.

Nele, volto aos protestos de 2005 desencadeados contra o aumento da passagem dos coletivos da Grande Vitória e tento remontar as mobilizações dos anos posteriores, até 2013. Parto da hipótese de que as condições para a tomada da Terceira Ponte e, posteriormente, a ocupação da Assembleia Legislativa do Estado foram postas ao longo dos anos pelas lutas dos movimentos sociais.

É um ponto de vista subjetivo. Se estava vivo em mim, articulou-se mesmo após as conversas que garantem o relato enquanto narrativa sobre um acontecimento – é uma e só mais uma versão sobre as lutas por aqui e, por mais que ela se desencadeie de forma linear e apresente uma sucessão de fatos, ela não se pretende total e inquebrantável. Espero apontamentos que fortaleçam uma versão posterior, caso aconteça.

A FES, que publica o livro, atua no Brasil em parceria com entidades organizadas da sociedade civil, partidos e centrais sindicais como o PT e a CUT de forma a ampliar a democracia e o desenvolvimento no país.

“A Fundação acompanha de forma ativa a formação e consolidação de estruturas da sociedade civil e do Estado com projetos em mais de 100 países, apoiando a democracia e a justiça social, sindicatos livres e fortes bem como a defesa dos direitos humanos e a igualdade étnico-racial e de gênero”, como explicado em sua página na rede.

O livro foi sistematizado e organizado por uma rede de professores e ativistas comprometidos com a expansão das versões sobre o que temos chamado de “jornadas de junho”, para designar as mobilizações de massa que despontaram no Brasil em 2013 e que se desdobram desde então no plano político, afetivo, e subjetivo dos brasileiro e, inclusive, dos autores dos relatos.

São eles: Alana Moraes, Bernardo Gutierrez, Henrique Parra, Hugo Albuquerque, Jean Tible e Salvador Schavelzon.

Para os organizadores, em texto de apresentação do livro, junho está vivo e continuar a acontecer no plano das subjetividades:

“Junho está sendo, junho é, junho será. Está vivo, dentro de nós, diluído nas novas subjetividades, flutuando sobre um novo ecossistema social, criando novos espaços de política lateral. Junho será, nas redes e nas ruas. Junho é. Vive nas micropolíticas, nos muitos projetos-processos sonhados de forma coletiva: nas cidades, favelas, universidades, nos quilombos, nas florestas, nos corpos que procuram liberdade. Chegará de surpresa, como uma nova explosão emocional, como nova gramática social”

Meu muitíssimo obrigado aos amigos que contribuíram para a consistência desse texto e aos organizadores da publicação pela oportunidade.

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